18/11 - 北京
E hoje as coisas mudaram não da água pro vinho, mas da diarréia para a ambrosia... Pela manhã, eu estava saindo daquela pocilga infecta do Chunking Mansions, e, algumas horas depois de cruzar o Rubicão da dignidade, entrando triunfalmente num Holyday Inn, com um quarto enorme, tudo limpinho e cheiroso, café da manhã servido no hotel, café espresso de graça na recepção, e até um robô no elevador, que leva a refeição pedida da cozinha até o quarto do camarada e depois toma o elevador sozinho de volta. Foi mais ou menos como sair de dentro da bolsa de colostomia, cheia, do Jair Messias e aterrisar entre as, digamos assim, hum, bochechas da Ana Paula Arósio.
E também justifiquei gloriosamente estar há 20 dias passeando com aquela merda de casaco pesado na mochila, só ele ocupando 1/4 de seu volume. Em Hong Kong no sol estava aquela coisa quente e suarenta, ainda que não em níveis paulistas, e ao chegar aqui em Pequim, 9 graus. No momento em que escrevo estas jubilosas e friazinhas linhas, o termômetro marca um orgástico -1 C lá fora. Chupa, paulistada!
O dia foi daqueles meio perdidos mesmo, saindo pra tentar fazer alguma coisa já depois das 4 da tarde. A cidade é aquela coisa imensa, demolida e reconstruída ao longo das décadas num tedioso quadriculado de quarteirões, com tudo longe de tudo. A presença de policiais, carros de polícia, delegacias e câmeras é bastante ostensiva, ainda que não especificamente intimidadora. Mas com um VPN a internet parece funcionar a contento, então as mais ou menos 0,8 pessoas que lêem este blog não vão passar falta. E as notícias sobre o não uso de dinheiro ou cartões de crédito por aqui parecem mais exageradas do que as sobre meu emagrecimento. Se bem que, por ter até balança o quarto do Holiday Inn, pude aferir só razoáveis 69 kg de massa banhosa em mim, apesar de há 20 dias sem jejum e sem exercício pra além das maratonas corridas e das caminhadas pela cidade.
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